II Stage Camp – Babara Bangoura em Moçambique do Rio Vermelho.

Por | 14 de março de 2014 às 16:45 | Um Comentário | Apresentações, Pesquisa | Tags:

Babara em ação

Fiquei surpreso com o preparo de Babara Bangoura para conduzir uma aula com cerca de 70 tambores, conseguir fazer todo mundo tocar junto e ainda propor um estudo que deixou a todos, iniciantes e mais “rodados”,  com os neurônios fervendo e os braços bombando.

Durante os sete dias de oficina no II Stage Camp África Raíces, Babara ensinou quatro ritmos novos, cantos e arranjos de percussão “quilométricos” e complicados. Muita informação. Tudo isso misturando francês, inglês e um inédito portunhol. Como provou e disse, tão ou mais importante que as palavras, é o sentimento expressado que favorece a comunicação.

Abayomi com Babara, Djanko e Maimouna

A diversidade linguística com que expressava suas idéias possibilidou experenciar um fenômeno de comunicação do qual Babara é muito ciente, e nos mostra sua maestria ao demonstrar como despertar para uma comunicação não verbal ao expressar seu ponto de vista colocando todo o seu sentimento e intenção. Mesmo sem entender todas as palavras, a gente pega o “espírito da coisa”.

 

babara_floripa

Essa colcha de retalhos de palavras e expressões cujo sentido é apreendido seguindo um fio condutor que depende muito da “sintonia fina” de cada um, permite que várias narrativas diferentes possam ser feitas sobre as mensagens e aprendizados do encontro. Pra mim, Babara mostrou o tambor como um meio para comunicar união, amizade, respeito, amor pela vida. Uma mensagem que se transmite sem palavras nem discurso nem ideologia, que se estampa na presença do artista no ato de tocar, cantar ou dançar. Ele disse: transmitir uma “boa energia”. Pronto, toda teoria pode se resumir aí.

Acho que vi poucas pessoas que reúnem tantas qualidades artísticas e humanas que teriam um verdadeiro mestre. A respeito disso, o nosso novo super-herói do djembê disse: “Na Guiné tem dois níveis: mestres e aprendizes. Os mestres são um grupo pequeno que decide entre eles mesmos quem são os mestres, então somos todos aprendizes.”

Genial!

Um comentário

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