Arte africana no mundo: a tradição e o trânsito.

Por | 25 de abril de 2014 às 18:54 | Sem Comentários | Pesquisa

O Abayomi desenvolve pesquisa em dança e música da Guiné a partir do trânsito de artistas, estudantes e mestres pelo mundo.

Na Guiné há uma distinção clara entre a arte tradicional, secular, cuja força vem dos ritos cotidianos das aldeias e a arte dos ballets profissionais, com formato adaptado para o espetáculo em palco e que surgiram durante o processo de independência há pouco mais de meio século. A arte na Guiné, tanto nas aldeias quanto nos ballets está em pleno processo de evolução, é uma arte viva presente no dia a dia, nas festas e eventos do cotidiano.

Um fenômeno mais moderno é o grande interesse de estrangeiros em aprender e consumir essa arte, especialmente a música e a dança. Existe um mercado cultural para professores, artistas e pesquisadores que se espalha pelo mundo com grande velocidade, alcançando todos os cinco continentes. Na América do Sul temos grupos e professores de dança e percussão Mandeng trabalhando no Chile, Argentina, Uruguai, Brasil e outros países há décadas.

A expressão mais atual da pesquisa de dança africana contemporânea pode ser encontrada em artistas como Georges Momboye.

Para nós aqui do outro lado do oceano, o que nos chega é a informação passada por artistas profissionais que ministram cursos para estrangeiros, seja em viagens de estudo para a Guiné, seja em turnês internacionais desses professores. A forma de ensinar e os conteúdos já são “sintetizados” para poderem ser transmitidos em poucas horas de workshop de uma forma já “adaptada” a outros corpos e contextos culturais. Poucos são os estrangeiros que tem um contato com um mestre tradicional por muito tempo.

Um dos desafios da nossa caminhada é compreender esse  aspecto dinâmico de uma cultura viva. Não podemos dizer que estudamos uma cultura africana tradicional, pois não é possível propor uma “franquia” de cultura africana que remeta a um conhecimento estanque e rígido deixado pelos antepassados, como em algumas escolas de artes orientais. Ao mesmo tempo, existe uma linguagem que por mais que seja transformada ainda assim permite uma identificação com a arte africana.

Uma das características da América Latina que a distingue da Europa é justamente a mestiçagem, mistura de valores e culturas. Se enxergamos a arte como uma possibilidade de expressão da nossa realidade no presente, temos que entendê-la como fruto de uma circulação, contaminação, reinterpretação.  A busca artística está em expressar uma referência cultural que tem ressonância em nós e que acontece em um contexto de apropriação, ressignificação e mistura com outras referências e histórias de vida.

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